Redes sociais e o contato com jornalistas: até onde o assessor deve ir?

Redes sociais

Enquanto eu pensava em como começar a escrever esse texto, chegaram no meu celular e computador notificações do meu Instagram e do Facebook. Alguém curtiu minha última foto e minha mãe reagiu na piadinha que compartilhei na sua linha do tempo. As redes sociais estão presentes de tal maneira na nossa rotina, que muitas vezes esquecemos de suas reais potencialidades e que elas podem, inclusive, ser uma ferramenta importante para o trabalho de assessoria de imprensa.

É possível, por exemplo, descobrir mais sobre o estilo de pauta que determinado jornalista costuma compartilhar e se preparar melhor para sugerir algo certeiro.

Cada rede social tem a sua característica própria e é importante deixar claro que quando falamos do ambiente corporativo, o bom senso é fundamental. Eu já estive tanto do lado do jornalista de redação, como da assessoria de imprensa e, a partir dessas experiências, ponderei alguns pontos que podem ajudar a estabelecer uma relação saudável nas redes entre os profissionais de comunicação.

Comece pelo LinkedIn

Antes de sair adicionando jornalistas no Facebook, é mais bacana que você estabeleça uma conexão com eles pelo LinkedIn. Afinal de contas, estamos falando de uma rede feita para networking e nada melhor do que aproveitá-la ao máximo! Para tanto, avalie o nicho ao qual as empresas que você atende atuam e busque enviar solicitações a jornalistas que cubram essas áreas.

Para que a estratégia funcione, é fundamental que as suas informações estejam atualizadas em seu perfil no LinkedIn. Pense assim: para um jornalista que só cobre tecnologia, é interessante ter em sua rede assessores de imprensa que atuam com empresas desse segmento. Então, quando receber um novo pedido de amizade, essa informação poderá ser decisória na hora de te aceitar ou não.

Veja também como o jornalista se comporta na rede: ele a utiliza ativamente? Interage com as pessoas? Se a resposta for sim, você pode utilizar o campo do chat para fazer follow-up, por exemplo, depois de enviar a sugestão por e-mail.

Facebook e Instagram

Já para estabelecer uma conexão nas demais redes sociais é imprescindível que você efetivamente já tenha um contato com aquele profissional. Muitas vezes, trabalhando no mesmo nicho e falando sempre com o mesmo jornalista, cria-se um vínculo que pode se estender para esse mundo virtual. Mas lembre-se de que são páginas pessoais e não é legal utilizar para fazer follow ou enviar sugestões de pauta.

O mais bacana mesmo é ficar de olho nos perfis dos jornalistas, pois alguns, quando estão precisando de personagens e especialistas para matérias do dia a dia, podem usar suas redes para solicitar. Grupos no Facebook com outros assessores e jornalistas também são interessantes para que você fique de olho no que está rolando no mercado e tenha contato com outros profissionais.

É meio batido falar disso, mas sempre válido: ao adicionar pessoas do seu mundo corporativo nas redes sociais, tome cuidado com suas publicações. Não vale esconder quem você é, mas exposição demais pode pegar mal.

Lembre também de seguir as páginas dos veículos que estão no target de suas empresas assessoradas, para acompanhar os principais assuntos. Alguns veículos utilizam o stories do Instagram para compilar o que aconteceu de mais relevante no dia, essa pode ser uma forma simples de se atualizar. Quanto maior o seu radar de novidades e ineditismo for, maiores são as chances de sugerir pautas matadoras.

Já o WhatsApp…

Follow e sugestão de pauta no WhatsApp pessoal do jornalista só em último caso!

Quando trabalhava em redação, o que mais me incomodava era quando assessores mandavam mensagens no meu celular (até hoje não sei como descobriam o meu número!) enviando sugestões que, por vezes, até já tinha recusado por e-mail.

Por mais que seja uma ferramenta rápida e simples, não é bacana ficar pressionando os jornalistas através do número pessoal, isso faz com que seu nome fique mais queimado do que lembrado.

É claro que cada caso é um caso, há jornalistas que curtem conversar dessa forma, e nichos do jornalismo em que a relação funciona melhor assim (assessores de imprensa de esporte usam muito grupos com jornalistas para avisar sobre novidades, por exemplo).

Mas, de forma geral, como assessora, eu só chamo o jornalista no WhatsApp quando a atitude parte do outro lado da mesa. E, como jornalista na redação, só passava quando tinha certeza que o assessor teria bom senso.

Empatia sempre

Se colocar no lugar do outro, como em qualquer relacionamento interpessoal, é fundamental no diálogo assessor x jornalista. Lembre-se de sempre estabelecer contato em horários comerciais. Nesse post, aliás, nós já demos dicas para follow-up que ajudam bastante.

Vale lembrar ainda que não existe uma receita mágica e cada profissional desenvolve as melhores técnicas e jeito de falar na prática e rotina do dia a dia.

Mas, seja ao telefone ou no mundo virtual, a construção de todo relacionamento se dá com respeito ao seu trabalho e do colega, seja ele assessor ou jornalista.

 

Ana Beatriz Felicio é Assessora de imprensa e criadora de conteúdo na IDEIACOMM

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